Entre os doces mais emblemáticos da confeitaria brasileira, o cajuzinho ocupa lugar de destaque. Sempre presente em mesas de festas, quer sejam aniversários, casamentos, quermesses ou quaisquer outras. Ele nasceu da criatividade popular ao adaptar ingredientes acessíveis a uma estética inspirada no caju, fruta símbolo de várias regiões do país, sobretudo no Norte e Nordeste. Inicialmente, era uma criação humilde, feita com polpa de caju, castanha de caju, farinha de mandioca e mel, moldado à semelhança da fruta caju, para as festas juninas e regionais.
Com a migração nordestina para o Sul e Sudeste, a receita se adaptou aos ingredientes locais. Ocorreu no período em que a confeitaria doméstica começou a ganhar força no Brasil urbano no início do século XX. Com a popularização do leite condensado e do chocolate em pó, surgiram variações de doces moldáveis que dispensavam forno e permitiam produção em grande escala para festas. O amendoim, abundante e barato, entrou como base aromática e estruturante, criando um equilíbrio entre doçura, textura e sabor tostado. Assim é que, hoje, curiosamente, o cajuzinho tradicional não leva caju na massa: sua identidade vem da combinação de amendoim moído, chocolate e leite condensado, moldados no formato da fruta e finalizados com açúcar cristal.
Com o tempo, o cajuzinho deixou de ser apenas um doce funcional para se tornar parte do repertório afetivo das comemorações brasileiras. Seu formato remete à fruta tropical, enquanto o sabor combina intensidade e maciez, tornando-o fácil de preparar, transportar e servir. A seguir, está uma versão clássica, estável e bem estruturada, ideal tanto para consumo imediato, quanto para produção em maior quantidade.
Ingredientes para o Cajuzinho
- 1 lata de leite condensado (395 g)
- 200 g de amendoim sem pele e sem sal, torrado e moído
- 2 colheres (sopa) de chocolate em pó 50% cacau
- 1 colher (sopa) de manteiga sem sal
- Açúcar cristal para envolver
- Amendoins inteiros ou cravos-da-índia para decorar
Como Fazer o Cajuzinho
Base da Massa:
- Em uma panela de fundo grosso, coloque o leite condensado, a manteiga e o chocolate em pó.
- Misture ainda fora do fogo até obter uma cor homogênea.
- Leve ao fogo médio, mexendo constantemente com espátula ou colher, de madeira ou silicone, para evitar que a mistura grude ou queime nas laterais.
- Cozinhe por cerca de 8 a 10 minutos, até atingir o ponto em que a massa se solta do fundo da panela e forma um bloco mais consistente. Esse estágio é fundamental para que o cajuzinho mantenha formato depois de moldado.
Incorporação do Amendoim:
- Retire a panela do fogo e aos poucos vá acrescentando o amendoim, misturando bem até que a massa fique uniforme, densa e esteja levemente morna.
- O amendoim não dá apenas sabor, mas também estrutura o doce, garantindo que ele não fique excessivamente pegajoso.
- Deixe a mistura descansar por cerca de 30 minutos (ou mais) em temperatura ambiente até que esteja frio suficiente para ser modelado.
Modelagem:
- Com as mãos levemente untadas com manteiga, retire pequenas porções da massa.
- Enrole em formato ovalado e depois afine uma das pontas, imitando o desenho do caju.
- O tamanho clássico é de aproximadamente 20 a 25 g por unidade, o que favorece apresentação e equilíbrio de sabor.
- Depois de moldados, passe cada doce pelo açúcar cristal, cobrindo toda superfície de maneira uniforme.
Finalização e Apresentação:
- Na parte mais larga do cajuzinho, pressione delicadamente um amendoim inteiro, ou um cravo-da-índia, simulando o ‘cabinho’ do caju.
- Essa etapa é simples, mas faz diferença estética e remete imediatamente ao formato tradicional.
- Disponha os doces em forminhas de papel ou em uma travessa polvilhada com açúcar, evitando que fiquem encostados na travessa enquanto terminam de firmar.
Armazenamento:
- O cajuzinho pode ser conservado em recipiente fechado por até 5 dias fora da geladeira, ou até 10 dias sob refrigeração.
- Antes de servir, é interessante deixá-los alguns minutos em temperatura ambiente para recuperarem maciez e aroma.
O cajuzinho atravessa gerações justamente por unir praticidade, identidade visual e sabor marcante. Sua base de amendoim com chocolate cria um perfil intenso, mas equilibrado, enquanto a textura macia permite fácil moldagem e boa durabilidade. Ele representa a tradição brasileira de transformar ingredientes simples em preparações expressivas e memoráveis.
O resultado da preparação desse doce vai além do prato: constrói-se uma presença clássica na mesa, reconhecida de imediato e valorizada pela familiaridade. Seja para festas, lembrancinhas ou consumo cotidiano, essa receita mantém viva uma das expressões mais queridas da confeitaria nacional.
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