Conhecido por diferentes nomes – pão árabe, pão sírio, pão libanês ou pão pita (ou pitta) – esse pão milenar é um dos símbolos mais antigos da panificação humana. Sua origem remonta às civilizações do Oriente Médio, onde o trigo, a água e o fogo formaram a base da alimentação cotidiana. Muito antes da panificação moderna, já se produziam discos simples de massa que, ao entrarem em contato com calor intenso, inflavam e criavam uma cavidade interna natural.
Esse fenômeno, hoje bem conhecido, não era apenas um detalhe técnico, mas uma solução prática: o pão podia ser aberto e recheado, usado como utensilio para pinçar alimentos ou servido como acompanhamento de pastas, carnes e legumes. Ao longo dos séculos, o pão árabe se espalhou por toda a bacia do Mediterrâneo, Norte da África e Europa Oriental, adaptando-se a ingredientes e hábitos locais, mas preservando sua identidade cultural.
Apesar de sua aparência simples, o pão árabe exige precisão. Hidratação correta, fermentação equilibrada e forno bem quente são fatores determinantes para que o pão infle adequadamente, formando o característico ‘bolso’. Esta receita apresenta uma versão clássica, confiável e fiel à tradição, perfeitamente executável em ambiente doméstico.
Ingredientes Para o Pão Árabe
- 500 g de farinha de trigo
- 300 ml de água morna
- 10 g de fermento biológico seco
- 10 g de sal
- 2 colheres (sopa) de azeite de oliva
Como Fazer o Pão Árabe
Prepare a Massa:
- Em uma tigela grande, misture a água morna com o fermento biológico seco, aguardando cerca de 5 minutos até que o fermento comece a se ativar.
- Acrescente o azeite de oliva e misture levemente.
- Aos poucos, adicione a farinha de trigo, incorporando até formar uma massa.
- Quando a mistura estiver homogênea, acrescente o sal e comece a sovar.
- Transfira a massa para uma superfície limpa e sove por aproximadamente 10 minutos, até obter uma massa lisa, elástica e macia, que não grude excessivamente nas mãos.
- Forme uma bola, coloque-a em uma tigela levemente untada com azeite, cubra e deixe descansar por cerca de 1 hora, ou até dobrar de volume.
- Essa fermentação é essencial para desenvolver estrutura e garantir o crescimento correto no forno.
Modele os Pães:
- Após a fermentação, divida a massa em porções de aproximadamente 80 a 100 g.
- Modele bolas, cubra e deixe descansar por mais 15 minutos, permitindo que o glúten relaxe.
- Você também pode fazer bolas menores para formar mini-pães.
- Abra cada porção com um rolo, formando discos de cerca de 18 a 20 cm de diâmetro com espessura uniforme.
- Evite excesso de farinha nessa etapa, pois ela pode dificultar que o pão infle corretamente.
Asse em Fogo Forte:
- Pré-aqueça o forno por 20 a 30 minutos na temperatura máxima possível (idealmente entre 250°C e 280°C), com uma assadeira grossa ou pedra refratária dentro.
- Não basta o ar do forno estar quente: a superfície onde o pão será assado precisa estar saturada de calor.
- Leve os discos ao forno quente e asse por 5 a 7 minutos.
- O pão começará a inflar rapidamente, formando a cavidade interna característica.
- Retire assim que estiver inflado e levemente dourado, evitando secar.
- Repita ao processo com os demais discos e mantenha os pães cobertos com um pano para preservar a maciez.
Observações:
O pão infla porque:
- A umidade da massa vira vapor instantaneamente.
- O calor intenso sela a superfície.
- O vapor fica preso no interior, formando o ‘bolso’.
Se o forno estiver apenas morno:
- O pão assa, mas não infla.
- Fica plano e seco.
- Perde sua característica principal.
Como Fazer na frigideira:
- Ele pode ser feito na frigideira, mas com diferenças em relação ao forno:
- Na frigideira ele não infla totalmente, mas forma camadas internas que permitem abrir e rechear.
- Use frigideira pesada (de ferro, de fundo grosso ou antiaderente de qualidade).
- Não unte.
- Aqueça em fogo alto por 5 a 7 minutos até ficar bem quente.
- Em 30 a 40 segundos surgirão bolhas grandes.
- Vire o pão quando o fundo estiver com manchas douradas.
- Asse o outro lado por mais 30 a 40 segundos.
- Vire novamente, se necessário, para completar o cozimento.
- O pão vai inflar parcialmente, ou criar bolsas internas, mas não um balão completo.
O pão pita é um exemplo notável de como a técnica supera a complexidade. Com poucos ingredientes e um método bem executado, é possível obter um pão funcional, versátil e profundamente ligado à história da alimentação humana. Sua capacidade de inflar e formar uma cavidade interna não é um truque, mas o resultado direto de uma tradição refinada ao longo de séculos.
Servido com homus, babaganuche, coalhada seca, carnes grelhadas ou simplesmente aquecido e pincelado com azeite, o pão sírio mantém sua relevância tanto na cozinha tradicional quanto na contemporânea. Prepará-lo em casa é compreender, na prática, como a simplicidade bem conduzida pode atravessar culturas, fronteiras e gerações sem perder significado. Bom apetite!
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